Dados Básicos

Localização

O Distrito de Marracuene localiza-se a 30 Km a Norte da Cidade de Maputo, entre a latitude de 25º41’ 20” Sul e longitude de 32º40’ 30” Este. É limitado a Norte pelo Distrito da Manhiça, a Sul pela Cidade de Maputo, a Este pelo Oceano Índico e a Oeste pelo Distrito da Moamba e Cidade da Matola.

O Distrito tem uma superfície de 666 Km2 e uma população de 84.975 habitantes (40.849 Homens e 44.126 Mulheres), sendo a densidade populacional de 127.59 habitantes/km2, segundo censo populacional de 2007.

 

Indicadores Básicos


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Divisão Administrativa e População


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Capital Humano

A máquina administrativa do Estado no Distrito de Marracuene conta com um total de 1.106 funcionários, dentre os quais 518 são mulheres. Do total dos funcionários do Distrito, 267 possuem nível primário, 351 nível básico, 444 têm o nível médio e 44 possuem nível superior, conforme a tabela abaixo:


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Características Físicas do Meio Ambiente

Clima

O Distrito possui um clima quente. A temperatura média anual ronda aos 23ºC com alterações nos valores médios das temperaturas máximas diárias nos meses mais quentes – Janeiro/Fevereiro de 26,3ºC./26,1ºC. E a humidade relativa está acima dos 65% (Pessoa, 1983).O distrito de Marracuene apresenta o seu período chuvoso concentrado de Janeiro a Março, principalmente em Fevereiro com uma Pluviosidade anual de cerca de 758,2 mm.

Relevo

O Distrito é formado por uma vasta planície a uma altitude de 0-200 m com solos areno- argilosos a arenosos de drenagem boa a extremamente excessiva. A área do litoral apresenta uma vasta faixa de dunas móveis de areias brancas formadas devido à acção dos ventos do mar. As margens de Rio Incomati caracterizam-se por solos argilosos areno- argilosos com uma boa aptidão agrícola.

Vegetação - Savanas ( gramineas e arbustos)

As áreas mais afastadas das margens do Incomati têm uma aptidão agrícola de elevado risco devido a ocorrência de seca cíclicas e prolongadas. Contudo, o vale do Incomati que se estende num comprimento de 40 km apresenta-se com boas condições para a prática da agricultura. As culturas mais comuns são: milho, arroz, batata-doce, banana, cebola, tomate, hortícolas, feijões, mandioca, cana-doce e outras. Segundo Baradas, 1969, estas terras do baixo do Incomati e os Machungos de Bobole são aptas para a produção do trigo.

A Maior vegetação arbórea é nativa ocorrendo com maior frequência espécies do género: Afzelia, Terminalia, Dalium, Pterocarpus, Sclerocarya, Albizia, mimosopsi, Vangueria, Trichilia, Strycnus. Também ocorrem algumas espécies estabelecidas destacando se seguintes géneros. Eucalyptus, Casuarina, Anacardium, Citrus, Sena, Delonix e outras.

Hidrografia

A hidrografia de Marracuene é representada por cursos de água doce e salgada, destacando-se o Rio Incomati, um dos principais rios de Moçambique, lagoas e charcos distribuídos por vários pontos do distrito. O Rio entra no distrito através da Localidade de Macandza, no Posto Administrativo de Machubo, indo desaguar no Oceano Índico que abarca uma extensa área de Marracuene.

As actividades económicas desenvolvidas nestes cursos de água resumem-se à pesca, transporte de pessoas e bens, havendo também, prática de agricultura, exploração dos recursos florestais e actividades eco- turísticas ao longo das margens do Índico e no Incomati.

Organização e Estrutura Social

Com a introdução da Lei n.º 8/2003, de 19 de Maio, a estrutura governamental faz-se representar pelos Serviços distritais de Actividades Económicas, Saúde, Mulher e Acção Social, Educação, Juventude e Tecnologia e Planeamento e infra-estruturas. A estrutura social é representado pelos Conselhos Consultivos, Líderes Comunitários, Secretários dos Bairros, Organizações Democráticas de Massa, Associações, Agentes económicos, confissões religiosas e líderes espirituais.

Aspectos Histórico-Culturais

A origem do nome Marracuene tem várias versões.

A primeira versão sustenta que o nome surge de Muzrakwene, nome de um indivíduo famoso devido aos seus barcos que faziam a travessia do rio Incomati para Macaneta. Este indivíduo seria, supostamente, o chefe da segurança do rei Maphunga, e devido à sua profissão era conhecido para além das fronteiras da região, passando a ser referência do local.

A segunda defende que o nome Marracuene teria sua origem a partir do Chefe Murraco, cujos domínios se localizavam na margem esquerda do rio Incomati, e que teria sido expulso pelos portugueses durante as guerras de penetração colonial. Estes teriam instalado no local a primeira administração, passando a designar a região de Marracuene.

A terceira refere que Marhakwene era o nome de um proprietário de embarcações de pesca, exageradamente obeso e que, por esta razão era bastante conhecido e referência da região.

Batalha de Gwaza Muthini

Em 1884, na zona de Magoanine, os chefes da região hoje chamada de Marracuene (Mahazula, Zihlahla, Mulungo e Mwamatibjana), juntaram seus guerreiros, ameaçando invadir Lourenço Marques, o que ia contra os objectivos portugueses de atingir o Império de Gaza. Assim, Marracuene, região de onde eram oriundos estes chefes, passa a ser o principal alvo de conquista no Sul.

Temendo que o Imperador Ngungunhane utilizasse os guerreiros sediados em Marracuene para assaltar Lourenço Marques, Portugal nomeia em 1895 António Enes como Comissário Régio. Este elabora um plano de alianças com chefes locais, visando debilitar a coesão então existente pela união entre eles, porém não conseguiu.

Assim que, a 28 de Janeiro de 1895, partem para Marracuene 812 homens comandados por Caldas Xavier, marchando em quadrado, táctica que deu origem ao Quadrado de Marracuene muito usado pelos portugueses nas suas conquistas.

A 2 de Fevereiro do mesmo ano ocorre a sangrenta batalha, mais tarde conhecida como Batalha de Gwaza Muthini, envolvendo os guerreiros de Mwamatibjana, Mahazula e Mabjaia e o exército invasor, que culminou com a derrota dos nativos, tendo o exército português ocupado a região, que mais tarde chamou-se Vila Luísa.

A partir desta data, o 2 de Fevereiro passou a ser celebrado anualmente pelos ocupantes, que o baptizaram de “Gwaza Muthini”, expressão zulu que significa “matar em casa”, e que designava uma dança guerreira de alento para o combate, festa da vitória ou distensão em momentos de tensão e derrota.

Principais Danças

As principais danças são Makwaela, Xigubo, Xipenda, Marrabenta, Xingomana e Muthini que são, geralmente exibidas no dia do aniversário da batalha de Marracuene (Gwaza Muthini).

Predomina no distrito a língua ronga, não obstante a existência de outras línguas tais como changana, chope, xitsua, bitonga entre outras.

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